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Título: Os filhos da onça - Xamanismo Kaxinawá

Povo Kaxinawá No significado de filho da onça para os Kaxinawás, há todo um conjunto de associações simbólicas que giram ao seu redor: o milho, o frio, a vida eterna, o jenipapo e o sol que aparece no ritual “txidin” que acontece anualmente no xekitian, tempo do milho verde, ou depois de um rito funerário por uma morte importante (um chefe ou xamã). A saudade e a tristeza provocadas pela perda podem ameaçar a vitalidade e o bem-estar da comunidade, e o txidin serve para reforçar a fé na vida e levantar o ânimo: sua finalidade é proteger os vivos.

O líder de canto, assim enfeitado, representa o Inca e seus aliados: o gavião (tete), o urubu rei (ixmin), o txana.

O inca é ligado à metade dos inubakebu (filhos da onça). O deus Inka, canibaliza os humanos, os leva à morte e os separa dos seus.

Esta figura mítica se comporta como um canibal ou onça em relação àqueles que considera demasiadamente diferentes, mas como cônjuge e força civilizatória para os Kaxinawa, agora mortos, que se tornaram iguais a ele, isto é, bonitos e luminosos como o eterno Inka, habitante do mundo celeste. Os Kaxinawa, enquanto vivos, são presas potenciais do Inka, mas quando mortos e vivendo nas aldeias celestes, são alimentados por este.

Resta, ainda, o desejado e proibido "outro" real que vem de fora da ordem social controlada. Este, a divindade Inka, constitui o terceiro elemento na escala gradativa que define "eu" e "outro" e é o afim potencial, hipotético, onipresente no mito, no ritual, nas canções, nas visões, nos sonhos e nas fantasias.

Povo Kaxinawá   Povo Kaxinawá

A definição para um Kaxinawa é nukun yuda, que significa "nosso mesmo corpo": um corpo que é produzido coletivamente por pessoas que vivem na mesma aldeia e que compartilham a mesma comida. São os parentes próximos que provocam um forte sentimento de pertencimento e, quando estão ausentes, é sentida sua falta, expressa pelo termo manuaii, palavra usada para definir a saudade de um parente próximo, do mesmo modo como se designa a sensação física e vital da necessidade de água. Água é vital para o corpo assim como parentes são vitais para constituir o "eu". Isto pode ser ilustrado pela seguinte sentença proferida por Antônio Pinheiro, Kaxinawa: "Quem não sente falta dos seus parentes, como se sente falta de água, não é gente. É como um yuxin que fica vagando por aí”

Os laços que ligam uma pessoa a seus parentes constituem o "eu" kaxinawa. Essa rede de laços vitais é criada no tempo, pelo viver junto, por compartilhar determinadas substâncias vitais, os banhos medicinais e a pintura corporal nos rituais. Secreções corporais e cheiros afetam diretamente as pessoas com as quais se vive. Uma intervenção, direta ou indiretamente praticada, que transforme o corpo de alguém, afeta sua mente, pensamentos e sentimentos. Nesse sentido, quando os Kaxinawa estão falando do corpo, estão se referindo ao "eu" e às transformações do corpo, às vezes descritas como incidindo sobre a "alma".

Pode-se dizer, desse modo, que o "eu" kaxinawa inclui, não apenas seu próprio corpo mas também seu parente próximo. Isto explica por que uma pessoa que não reside mais na aldeia se torna mais e mais distante e, com o passar do tempo, transforma-se em um não-parente ou, até mesmo, em um não-Kaxinawa, aos olhos de quem estava habituado a chamá-la de parente. Essa pessoa pode mesmo ser transformada em não-índio, nawa, ou até perder os atributos humanos, tornando-se, portanto, um ser que vagueia, yuxin, um ser sem forma ¾ o que implica não apenas uma mudança na aparência corporal, mas no comportamento e nos pensamentos. Yuxin, nesse contexto, significa um ser perdido no mundo, sem laços, sem lugar para ir, sem pessoas que se "lembrem" dele.

Essa transformação gradual de um ser propriamente humano em um estranho e, finalmente, em um não-humano ou não-ser (quando deixa de existir totalmente), ocorre no tempo, através do comportamento e pelo contágio com a alteridade. A mesma lógica se aplica à doença. Estar doente significa estar em um estado transformativo de perda do "eu", adquirindo alteridade. A doença não é produzida por uma única causa mas por uma combinação de forças internas e externas. As forças predatórias provenientes do exterior tornam-se ativas dentro de uma pessoa por meio da comida ingerida ou dos odores inalados. Podem entrar, também, quando uma pessoa se encontra em um estado emocional vulnerável, quando se sente triste ou só. O processo de se tornar outro é complexo e quase sempre reversível. Alguém deixa de ser um "verdadeiro" Kaxinawa por não residir mais em uma aldeia, por viver muito tempo em lugares diversos, o que resulta na aquisição de um corpo diferente e, através dessa diferença corporal, em uma diferenciação também dos sentimentos, pensamentos, valores e memórias. Ser propriamente humano, portanto, no sentido kaxinawa, significa viver em comunidade com os parentes próximos.

Uma vez a pessoa morta, o yuxin do olho adquire novo corpo e novas roupas, capazes de transformá-lo em um ser imortal que poderá se casar e viver com aqueles que os vivos representam como o pólo extremo e absoluto do perigo, o "inconvivível" outro: os Inka.

Povo Kaxinawá   Povo Kaxinawá

Como entre outros povos amazônicos, a ordem social e o sistema de parentesco como uma unidade interior composta por elementos de uma mesma classe (pessoas com um mesmo corpo que compartilham pensamentos e hábitos) são englobados pela ordem cosmológica da alteridade, do canibalismo e da predação, e sua relação com esta última ordem de fenômenos é temporal: humanos estão no caminho de se tornarem outros e este processo, para as sociedades araweté e kaxinawa, será somente completado depois da morte.

Os Kaxinawa afirmam que os verdadeiros xamãs, os mukaya, aqueles que tinham dentro de si a substância amarga e xamânica chamada muka, morreram, mas este fato não os impede de praticar outras formas de xamanismo, consideradas menos poderosas mas que parecem igualmente eficientes. Este fato se deve também às severas regras de abstinência que incidem sobre a prática do xamã na sua forma de mukaya, que não podia comer carne nem ter contato com mulheres.

O uso da ayahuaska, considerado privilégio do xamã em muitos grupos amazônicos, é uma prática coletiva entre os kaxinawa, praticada por todos os homens adultos e adolescentes que desejam ver "o mundo do cipó". O mukaya seria aquele que não precisa de nenhuma substância, nenhuma ajuda exterior para se comunicar com o lado invisível da realidade. Mas todos os homens adultos são um pouco xamãs na medida que aprendem a controlar suas visões e interações com o mundo dos yuxin.

Se o homem que foi pego quiser seguir o caminho de mukaya, ele se submete a jejuns prolongados e severos (sama) e procura outro mukaya para instruí-lo.

Outra característica do xamanismo kaxinawá, expressa pelo nome mukaya, está na oposição entre o amargo (muka) e o doce (bata). Os kaxinawá distinguem dois tipos de remédio (dau): os remédios doces (dau bata) são folhas da mata, certas secreções e animais e os adornos corporais; os remédios amargos (dau muka) são os poderes invisíveis dos espíritos e do mukaya.

Povo Kaxinawá   Povo Kaxinawá

A especialidade de huni dauya (homem com remédio doce, ervatário) normalmente não se combina com a de huni mukaya (xamã). O processo de aprendizagem do ervatário é bem diferente do xamã. Se não lidar com folhas venenosas o ervatário não é sujeito a jejuns e pode desenvolver suas atividades normais de caça e vida conjugal. Ele adquire seu conhecimento através da aprendizagem com o outro especialista e precisa de uma memória e percepção agudas.

O primeiro sinal de que alguém possui a potência para ser um xamã, uma desenvolvida relação com o mundo dos yuxin, é o fracasso na caça. O xamã desenvolve uma familiaridade tão grande com o universo animal (ou com os yuxin dos animais), conseguindo estabelecer diálogo com eles, que não consegue mais matá-los:

Sendo assim, o xamã não come carne, e não somente por motivos emocionais. A impossibilidade de comer carne também está ligada ao muka, à mudança no olfato e no paladar da pessoa com muka amadurecido no seu coração. O gosto e o cheiro da carne tornam-se amargos.

O xamã é temido por sua capacidade de causar doença e morte sem fazer nada fisicamente. Pode atirar seu muka (que é invisível quando atirado) na vítima a partir de grandes distâncias; ou pode convencer algum dos yuxin com quem está familiarizado a matar uma pessoa.

Quanto maior o número de yuxin aliados do mukaya, maior será o seu poder. Porque seu poder de cura reside, de um lado, na sua capacidade de negociação como agente ativo da cura (quando vai buscar o espírito perdido de seu paciente que se juntou aos yuxin), e de outro, na qualidade e quantidade de yuxin que pode convocar para uma sessão de cura, onde serão os yuxin (seus amigos) os agentes da cura, trabalhando através (ou reunidos ao redor) do corpo do xamã.

Povo Kaxinawá   Povo Kaxinawá

Mesmo assim, a viagem xamânica continua sendo, no entanto, uma característica crucial do xamanismo Kaxinawá. O bedu yuxin viaja, livre do corpo, no sonho, ou quando o xamã está em transe sob o efeito do rapé ou do ayahuaska. Estas viagens cumprem objetivos além da cura de um caso concreto. São excursões exploratórias. Procuram entender o mundo e as causas últimas das doenças. Exploram os caminhos que o bedu yuxin do morto terá que seguir para chegar ao céu e fortalecem as relações com o mundo espiritual pelo bem-estar da comunidade.

Existem alguns tipos de doença: uma material (veneno) e outra espiritual (poder). A doença causada por veneno, é por conta do dauya (ervatário), e a doença provocada pelo poder espiritual (muka), tem um mukaya (xamã) inimigo culpado. Existe um terceiro tipo: a doença causada pelos yuxin, que é a perda pelo paciente de seu bedu yuxin. A doença causada pelos yuxin a pedido de um mukaya também significa perda: do xamã pode-se roubar seu muka, de um ser comum sua alma.

Os dois tipos de doenças causadas por homens têm tratamentos diferenciados. O veneno provoca uma perda de líquidos e forças vitais (o paciente vomita, tem diarréias, fica anêmico). Neste caso, o xamã cura com sua força: cheira um tipo de rapé preparado especialmente para a cura e sopra sobre o paciente. No caso da causa ser o muka, o problema não é a perda, mas a presença de uma força negativa que toma a forma de um corpo estranho que age e destrói o corpo por dentro. Doenças provocadas por muka são dores agudas no fígado, no estômago ou no coração (três órgãos importantes na visão kaxinawá do corpo humano). Nesta fase, ainda tem cura. O xamã chupa o local da dor para tirar o objeto intruso. Chupa, tira o muka que o xamã inimigo mandou para o paciente.

A pessoa Humana para os Kaxinawá é concebida por três partes: o corpo ou a carne (yuda), o espírito do corpo ou a sombra (yuda baka yuxin) e o espírito do olho (bedu yuxin). A carne ou qualquer corpo vivo transforma-se em pó quando seu aspecto yuxin lhe é tirado.

Existem várias maneiras de iniciar-se no xamanismo. Algumas resultam de uma procura deliberada por parte do aprendiz, outras ocorrem espontaneamente devido à iniciativa dos yuxin que pegam o escolhido desprevenido. A presença do muka no coração do aprendiz, condição sine qua non para qualquer exercício de poder xamânico, depende em última instância da vontade dos yuxin.

Povo Kaxinawá   Povo Kaxinawá

Há dois caminhos que o aprendiz pode seguir para favorecer um encontro com os yuxin que possam lhe dar o germe de seu muka: ele pode aumentar sua experiência onírica dormindo muito e tomando remédios (gotas do sumo de certas folhas no olho e banhos) para sonhar mais e para lembrar-se dos sonhos; ou pode pegar o caminho da mata, enfeitar-se com envira ou brotos de murmuru (pani xanku) e folhas cheirosas, cantar, assobiar para chamar os yuxin.

O gosto das coisas também fornece informações sobre a qualidade yuxin das coisas. Há coisas que só yuxin ou animal come: husu, borboleta da noite que chupa sangue, é uma das comidas preferidas; mai xena, minhoca, também. Mas homem tem horror a comer isto. A pessoa em transe, sob o efeito dos yuxin, come folhas como se fosse comida.

Outra característica relacionada ao gosto, é que o homem não come nada cru: no máximo um fruto da floresta, ou no caso de crianças, uma banana madura quando não agüentam a fome até a hora da refeição. Também é excepcional tomar água. Os yuxin, pelo contrário, caracterizam-se pelo hábito de comerem coisas cruas e especialmente pela sede de sangue cru: todos os animais e insetos que chupam sangue são yuxin.

Povo Kaxinawá   Povo Kaxinawá

O jovem xamã ao ser iniciado deve seguir os caminhos indicados por cheiros, sons e imagens que levam ao contato com os yuxin. É preciso ter o coração forte, senão morre, pois a morte é conseqüência do colapso do coração com medo. O colapso na iniciação (morte ou loucura) pode ocorrer devido à incapacidade do iniciado/chamado/vítima de fazer a ponte entre os dois lados da realidade.

No período que começa com o primeiro “assalto” dos yuxin e termina quando o muka está maduro, o xamã iniciante mostrará sinais de fraqueza, mas esta fase liminar é necessária para o processo de aprendizagem com os yuxin. O aprendiz está desinteressado das obrigações sociais e dos processos corporais, porque sua mente está voltada para o mundo espiritual. Ele fica a maior parte do tempo deitado na rede, ou caminha aleatoriamente na mata. Estes “sintomas”, no entanto, não são interpretados como doença.

Uma característica saliente do xamanismo kaxinawá é a importância da discrição com relação à possível capacidade de curar ou causar doença. A invisibilidade e ambigüidade deste poder é ligada a sua transitoriedade.

Akaiê Sramana - Fundador Acharya da Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral
Akaiê Sramana
Fundador Acharya da Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral
Fundador da ALDEIA DE SHIVA - Centro Espiritualista Universal Xamânico Ancestral
Criador e Codificador de R'XA ® - Reiki Xamânico Ancestral


* Acesse o Website Oficial do Xamã Akaiê Sramana.

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